Nesta última semana de abril, um robô humanoide dominou as manchetes ao redor do mundo ao completar a Meia Maratona de Pequim em 50 minutos e 20 segundos. O tempo é um recorde se comparado ao alcançado por humanos: 57 minutos e 20 segundos, marca do medalhista olímpico de Uganda, Jacob Kiplimo.
No ano passado, o robô vencedor da meia maratona levou 2 horas e 40 minutos para cruzar a linha de chegada, sendo muito mais lento e atrapalhado que os seres humanos. Apenas um ano depois, a máquina não só teve melhor performance, como bateu o recorde mundial nos 21 km de percurso.
O feito representa um marco histórico para a inteligência artificial aplicada ao movimento físico, além de levar a Honor à liderança na área. Também mostra que o limite biológico que separa humanos de robôs está cada vez mais perto de ser apagado.
Conheça mais sobre o robô
O HONOR Lightning nasceu a partir do conhecimento adquirido pelos dispositivos da empresa: sua história, seus hábitos e suas preferências. O desing do robô vermelho é inspirado nos atletas humanos: com 1,69m de altura, ele mantém o equilíbrio por meio do balanço dos antebraços e possui pernas de cerca de 95 centímetros.
O vídeo que registrou o feito mostra o Lightning com um pace sobre-humano, impulsionado por um sistema avançado de sensores de equilíbrio dinâmico de alta precisão. O sistema permite que o robô lide com as imperfeições do terreno e a força do vento, ajustando a inclinação do corpo e a força de cada pisada, oferecendo maior estabilidade.
Para conseguir completar os 21km sem superaquecer seus componentes internos, o Lightning conta com um sistema de resfriamento líquido, composto por tubos que levam um fluido refrigerante diretamente para os motores.
Segundo representantes da Honor, a tecnologia pode ser utilizada em ambientes industriais no futuro. A empresa chinesa apresentou ao público seu primeiro robô humanoide em março deste ano, no MWC 2026. Na ocasião, o robô fez uma coreografia ao lado de dançarinos humanos.
Uma rápida evolução
Enquanto em 2025 os robôs humanoides eram controlados remotamente por humanos durante a maratona, em 2026, cerca de 40% deles fizeram a corrida de forma autônoma. Ainda que a maioria tenha enfrentado dificuldades — caindo, colapsando ou esbarrando em obstáculos –, não deve demorar para que eles fiquem melhores e mais rápidos, conseguindo inclusive lidar com fatores externos, como chuvas ou ventos fortes.
Na maratona deste ano, o robô mais rápido completou o percruso em pouco mais de 48 minutos, porém não foi considerado por estar sendo operado remotamente por um humano.
Tudo indica que é a China que vai liderar essa corrida tecnológica, disputada com os EUA. Desde 2015, a indústria robótica do país listou os robôs como uma das dez prioridades de um plano para modernizar a indústria chinesa.
Em 2025, Pequim sediou os primeiros jogos de robôs humanoides do mundo, com esportes como futebol, boxe, artes marciais, etc. Já nas festas de ano novo chinês, robôs executando saltos e movimentos sincronizados de kung-fu impressionaram o público.