Como experimento,i criei um agente de IA treinado com base no meu gosto musical que, toda sexta-feira, analisa os lançamentos e resenhas de álbuns da semana para me recomendar novas músicas. Hoje, fiquei animado ao ver álbuns que eu nem conhecia de algumas das minhas bandas favoritas.
Músicas novas do The Molotovs, The Lemon Twigs e The Sheepdogs, tudo em uma semana? Parecia bom demais para ser verdade… porque era. Todo o meu resumo desta semana foi completamente inventado porque o sistema encontrou um erro ao tentar pesquisar na internet, não conseguiu encontrar álbuns novos e, então, criou um monte de listas com base nos dados de treinamento.
Um sistema de IA pode estar sujeito a desvios, erros e ataques, mas frequentemente tentará continuar fazendo o que deve fazer. Em recomendações musicais, um erro geralmente só traz decepção. Mas para drones, carros e fábricas autônomas, esse tipo de falha pode ser fatal.
É aí que entra Ashley Reeves. Ele é o CEO e fundador da ArbaLabs, empresa sul-coreana que desenvolve hardware de verificação de IA capaz de registrar o que os sistemas físicos de IA embarcados realmente fazem, em vez do que pensam que estão fazendo.
“Encaramos isso como uma espécie de ‘caixa-preta’ para IA física”, disse ele, referindo-se aos gravadores de voo encontrados em aviões, que podem ser usados para determinar o que aconteceu em um acidente.
A solução, ArbaEdge, é instalada diretamente ao lado de um processador de IA, e o chip gera um “espelho digital” dos processos em execução. Além disso, o processador protege dados sensíveis, como telemetria, emitindo dados criptografados que verificam os resultados sem revelar informações confidenciais, explicou Reeves.
Isso pode ser usado pelos operadores para verificar se seus sistemas funcionam conforme o esperado e para enviar uma notificação caso contrário. Curiosamente, o ArbaEdge não usa IA diretamente, contou Reeves. “Tudo é baseado em regras e altamente auditável”, afirmou.
Fundada em maio de 2025, a ArbaLabse já possuia uma prova de conceito em menos de dois anos após seu lançamento. O primeiro sistema de demonstração está atualmente instalado em um satélite de propriedade da parceira Space & Bean, lançado em órbita por um foguete coreano Nuri em 7 de outubro.
Foi estabelecido uma comunicação bidirecional com o módulo ArbaEdge a bordo e ainda continuarão testando suas capacidades nos próximos meses.
Enquanto isso, Reeves afirma que a empresa está buscando capital para apoiar o desenvolvimento contínuo da empresa. Ela está trabalhando com o British Standards Institution para estabelecer padrões globais para verificação de IA e está desenvolvendo seu próprio chip para a próxima geração de hardware, que poderá ser licenciado para potenciais clientes.
O CEO vê o setor espacial como uma “cabeça de ponte” para sua empresa, mas planeja expandir para setores terrestres, como drones, fábricas, veículos autônomos e dispositivos médicos.
“O objetivo desta empresa é ser uma camada padronizada para toda a indústria”, disse ele.
Trimestre do setor espacial
Até agora, tem sido um grande ano para a indústria espacial, com a empresa de capital de risco Space Capital relatando que os investidores injetaram mais de US$ 22 bilhões em startups espaciais no terceiro trimestre de 2026, elevando o total investido no ano para US$ 92,5 bilhões, já à frente de 2025.
O maior gargalo enfrentado pela indústria espacial não é a aplicação ou a demanda, mas sim o lançamento. Os investidores, porém, perceberam que a indústria não pode depender da SpaceX para resolver o problema.
Apenas US$ 7,8 bilhões foram investidos em empresas focadas exclusivamente em lançamentos este ano, com a Stoke Space liderando a lista deste trimestre com uma rodada de financiamento Série E de US$ 1 bilhão, avaliando a empresa, que constrói foguetes reutilizáveis, em US$ 10 bilhões.
Os instintos isolacionistas do governo Trump incentivaram nações europeias e asiáticas a investir mais em suas capacidades espaciais nacionais. As startups europeias foram responsáveis por US$ 6,3 bilhões do investimento total no terceiro trimestre, chegando a US$ 13,5 bilhões no acumulado do ano. Grande parte desse investimento está focada em capacidades de defesa e lançamento.
A IA também está atraindo investidores no espaço, assim como na Terra. Há dinheiro sendo aplicado em empresas que produzem dados de geointeligência, como imagens de satélite, usado por sistemas autônomos para navegar pelo mundo.
Mas também há um interesse crescente no setor industrial, como a rodada de investimentos de US$ 1,37 bilhão para a startup americana que combina inteligência artificial, robótica e software, Hadrian, que está construindo sistemas de manufatura automatizados para o setor aeroespacial.
IA e a crise dos antibióticos
Costumo perguntar a investidores sobre suas opiniões a respeito das tendências tecnológicas em seus respectivos setores. Em conversa com Henry Skinner, CEO do AMR Action Fund.
A empresa de capital de risco, que administra cerca de US$ 1 bilhão em ativos, dedica-se a investir em empresas que desenvolvem novos medicamentos para combater as crescentes doenças resistentes a antibióticos, que matam cerca de 5 milhões de pessoas anualmente.
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Que tecnologia está sendo superestimada no momento?
A ideia de que a IA resolverá a crise dos antibióticos é exagerada. A tecnologia está acelerando as descobertas, mas este é uma pequena parte do desafio. O verdadeiro obstáculo é o avanço de candidatos promissores a medicamentos através de testes clínicos, onde os custos aumentam drasticamente, os riscos se multiplicam e o investimento privado desapareceu.
No setor de antibióticos, a expertise, a infraestrutura e o capital necessários para levar os medicamentos da Fase 1 à aprovação vêm se deteriorando há anos porque o mercado não recompensa adequadamente a inovação.
A menos que os formuladores de políticas abordem a falha de mercado subjacente, a inteligência artificial gerará candidatos promissores a antibióticos que ninguém estará disposto a financiar ou será capaz de desenvolver.
Que tendência as pessoas deveriam estar discutindo mais hoje em dia?
Não estamos falando o suficiente sobre o surgimento de sistemas de vigilância contínua de patógenos. O monitoramento de águas residuais provou seu valor durante a COVID-19, mas está evoluindo rapidamente de maneiras dinâmicas.
Uma equipe da Universidade Baylor está usando um sequenciamento de nova geração para identificar e quantificar rapidamente centenas de vírus a partir de uma única amostra de água residual, podendo até mesmo sinalizar ameaças desconhecidas. Outros estão desenvolvendo sistemas para monitorar o ar do sistema de climatização de um edifício, a fim de detectar patógenos e alérgenos em tempo real.
Estamos passando de um mundo onde esperamos que pacientes doentes apareçam em clínicas ou consultórios médicos para um mundo onde podemos monitorar continuamente ameaças emergentes em nível local e, com sorte, mitigar seu impacto. Essa mudança pode alterar fundamentalmente a forma como direcionamos as intervenções de saúde pública e prestamos cuidados.
Sobre o que estaremos falando daqui a cinco anos?
Daqui a cinco anos, todos estarão falando sobre a melhor forma de exportar a inovação biotecnológica da China. O debate atual sobre a possibilidade do país asiático competir com os EUA no desenvolvimento de medicamentos está se tornando obsoleto.
Estamos vendo a China se transformar de uma seguidora rápida, produzindo medicamentos de segunda geração, para um polo global de inovação biofarmacêutica, que gera mais remédios rapidamente com um custo menor, enquanto atrai mais investimentos a cada ano.
Os formuladores de políticas estão, começando a lidar com a dependência na China para medicamentos essenciais e com as vulnerabilidades que isso cria em nossa cadeia de suprimentos farmacêuticos.
Mas em breve eles também precisarão debater como levar as inovações produzidas no país asiático para pacientes de todo o mundo, e como os órgãos reguladores, as empresas e os sistemas de saúde se adaptarão a um mundo onde novas terapias se originam cada vez mais na China.
Na minha mira
A Anthropic entrou com um pedido de reconsideração da decisão do tribunal de apelações que permitiu ao Departamento de Defesa classificá-la como um risco para a cadeia de suprimentos, o que, levou os militares a interromper o uso de suas ferramentas de IA.
A empresa também pode estar buscando influência de outras maneiras. Em 2026, contratou o ex-conselheiro de Trump, Sihao Huang, para chefiar sua estratégia de computação de ponta e nomeou o ex-vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Chris Liddell, para seu conselho administrativo, segundo a CNBC.
No início desta semana, autoridades ucranianas reclamaram que a SpaceX, de Elon Musk, restringiu o uso do Starlink para serviços militares sem aviso prévio. O país depende do provedor de internet para suas operações de guerra com drones.
Em resposta o Elon Musk afirmou que os militares e os EUA controlam esses serviços, não a SpaceX. Nas últimas semanas, o governo Trump criticou os ataques da Ucrânia contra alvos da indústria energética russa, uma peça fundamental da estratégia ucraniana no quarto ano de sua guerra defensiva contra a invasão não provocada da Rússia em 2022.
Economia Problemática da IA
As ações de tecnologia estão em queda devido às preocupações dos investidores com a inflação e os gastos com IA, e se as perdas poderão ser recuperadas, especialmente desde que a Anthropic reportou uma desaceleração no crescimento da receita.
O Wall Street Journal relata que existe uma enorme lacuna entre as potenciais responsabilidades legais enfrentadas pelas empresas de IA e o seguro disponível para cobri-las.
A Gartner também informou que, para compensar os gastos com infraestrutura de IA, os proprietários de data centers “geram uma receita acumulada de US$ 8,5 trilhões” até 2030. Fácil, não é?
A enorme expansão da IA está tendo seus próprios efeitos colaterais. Remessas globais de smartphones caíram 20% em relação ao ano anterior neste trimestre, em parte devido à escassez de chips de memória impulsionada pela IA.
O economista Paul Krugman observa que os gastos com a construção de infraestrutura de inteligência artificial estão ofuscando todos os outros investimentos. E o CEO da BlackRock, Larry Fink, alerta que a paralisação da construção de data centers pode desencadear uma recessão.
Boas notícias sobre IA
Nem tudo é desanimador no mundo da inteligência artificial. A Colossal Biosciences revelou um modelo de IA treinado com espécies de aves modernas que está sendo usado para tentar trazer o dodô de volta à vida. Pesquisadores do MIT desenvolveram uma técnica de aprendizado de máquina para dobrar a precisão das previsões meteorológicas de seis semanas.
O Google também publicou resultados na revista Science mostrando que encontrou uma maneira prática de produzir “estados mágicos” em um computador quântico, um passo crucial para a computação universal e prática.
Enquanto isso, a Orca Computing, com sede em Londres, lançou o computador quântico PT-3, projetado para funções de computação “híbrida” em conjunto com um computador clássico.
Igualmente, a Saxon Q, com sede na Alemanha, mostrou que seu processador quântico de temperatura ambiente tem desempenho equivalente ao de um computador quântico supercondutor, o que é notável, pois um dos grandes desafios deste último são as soluções volumosas e criogênicas necessárias para operar próximo ao zero absoluto.