O apresentador Ratinho, de 70 anos, reagiu às críticas após declarações consideradas transfóbicas sobre a deputada federal Erika Hilton, de 33 anos. As falas ocorreram durante o Programa do Ratinho, exibido pelo SBT, e repercutiram nas redes sociais e no meio político.
Em resposta à repercussão, o apresentador afirmou que suas declarações fazem parte de críticas políticas e não teriam caráter discriminatório.
“Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio.”
Declarações durante o programa
A polêmica começou na quarta-feira, quando Ratinho comentou a escolha de Erika Hilton, do Partido Socialismo e Liberdade, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante o programa, ele questionou a indicação da parlamentar para o cargo.
“Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, disse o apresentador, no Programa do Ratinho (SBT)
Em outro momento, Ratinho afirmou discordar da escolha da deputada para a presidência da comissão.
“Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher.”
Ele também questionou se a parlamentar teria vivência para tratar de pautas relacionadas às mulheres.
“Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar.”
Reação da deputada
Nas redes sociais, Erika Hilton respondeu às declarações e afirmou não se preocupar com críticas de pessoas que considera preconceituosas.
“Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação”, escreveu ela, no X (antigo Twitter).
Em outra publicação, a parlamentar reafirmou sua conquista à frente da comissão.
“Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher? E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui.”
Posicionamento do SBT
Após a repercussão do caso, o SBT divulgou nota afirmando que as declarações do apresentador não representam a posição institucional da emissora.
“O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, diz nota enviada ontem à imprensa.
Ainda segundo a emissora, Erika Hilton conversou por telefone com Daniela Beyruti, presidente do SBT. O contato teria ocorrido para esclarecer que a parlamentar não possui problemas institucionais com a empresa.
“A deputada entrou em contato para conversar com a Daniela, para deixar claro que não tem qualquer problema com o SBT”.