Iniciativa da Ypê prevê investimento de R$ 4,4 milhões e recuperação de 80 hectares até 2026
Um levantamento do Climate Policy Initiative, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) mostra que, no último ano, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) avançou no Brasil, mas a adesão ao PRA ainda enfrenta entraves técnicos e financeiros.
Pensando nisso, uma iniciativa da Ypê, em parceria com o Imaflora e a SOS Mata Atlântica, tem a expectativa de recuperar 80 hectares até o fim de 2026, apoiando produtores nesta recuperação. O projeto chamado Plantar Vida viabilizou, até o momento, a restauração de 30 hectares, com o plantio de 53 mil mudas em sete propriedades. Para financiar a ação, o investimento previsto é de R$ 4,4 milhões.
Agora, o projeto que apoia proprietários rurais da bacia do Rio Camanducaia, no interior de São Paulo, na regularização ambiental por meio da restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs), está com inscrições abertas.
O projeto oferece a execução completa da restauração das áreas, incluindo: projeto técnico, preparo do solo, fornecimento de mudas, plantio, manutenção e acompanhamento especializado por até 24 meses. A iniciativa, contudo, é voltada a imóveis localizados em áreas classificadas como de prioridade “Muito Alta” e “Extremamente Alta”, especialmente nos municípios de Socorro, Pinhalzinho, Amparo, Serra Negra e Monte Alegre do Sul.
Custo da regularização
O produtor Rodrigo Marchi, do Sítio Pai do Mato, que aderiu ao projeto em 2024, explica que o principal entrave à regularização é o custo. “Projetos de restauração florestal são caros e, no nosso caso, ainda estamos em uma região de morros de difícil acesso, o que encarece ainda mais o trabalho, pois demanda uma grande equipe. Sozinho, o pequeno produtor não consegue bancar cercamento, adubação e manutenção”, disse Rodrigo Marchi.

O diretor de pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade na Ypê, Gustavo de Souza, ressalta que o projeto é uma oportunidade para que os produtores rurais consigam avançar na regularização ambiental. “A restauração florestal é fundamental não só para o meio ambiente, mas também para a produção e para o próprio produtor. Desde 2007, a Ypê investe na recuperação de nascentes e matas ciliares, e este projeto é mais um passo para garantir tanto a perenidade do nosso negócio quanto a disponibilidade de água na bacia, beneficiando as atuais e futuras gerações”, afirma.
Além da segurança hídrica, estudos recentes indicam que a recomposição de vegetação nativa pode gerar ganhos econômicos. Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) divulgada no ano passado aponta que a recuperação estratégica de vegetação pode elevar o PIB agropecuário paulista em até R$ 4,2 bilhões por ano. Além disso, abre espaço ainda para outras atividades econômicas, como o ecoturismo devido à valorização de sítios e fazendas para hospedagem e visitação.