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os Planos de Tatiana Reichmann para Ter 40% dos Negócios da Ademicon no Agro

“Eu era dançarina.” A frase surge quase como um desvio no meio de uma conversa sobre crédito, governança corporativa, fundos internacionais e expansão do agronegócio brasileiro. Mas é justamente ali que Tatiana Schuchovsky Reichmann, 48 anos, conecta duas fases improváveis da própria trajetória: a adolescente que dava aulas de sapateado aos 13 anos e a executiva que hoje lidera uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil, com a meta de transformar o agro em até 40% dos negócios da Ademicon nos próximos três anos.

“Meu pai me convidou para conhecer a empresa, me apaixonei e ele decidiu comprá-la para que eu a gerisse”, diz Tatiana, em entrevista exclusiva à Forbes Agro. “Hoje o consórcio é um produto que entrega crédito para o brasileiro em todas as áreas possíveis; no final do dia, o que nós vendemos é dinheiro.”

A fala ajuda a explicar a guinada de uma companhia nascida em Curitiba (PR), há três décadas, focada originalmente em consórcios imobiliários e que agora acelera sua presença no agronegócio brasileiro em um momento de retração do crédito tradicional, juros elevados e maior demanda por planejamento financeiro no campo.

Sob o comando de Tatiana, que completa 30 anos de casa em 2026, a Ademicon, que faturou cerca de R$ 1 bilhão no ano passado, alcançou R$ 47 bilhões em créditos comercializados em 2025, desempenho 73% superior aos R$ 27,3 bilhões registrados no ano anterior. Ela acredita que em 2026 possa movimentar R$ 70 bilhões.

Apenas no primeiro trimestre deste ano, a companhia acumulou R$ 17,9 bilhões em créditos vendidos, avanço de 90% em relação ao mesmo período anterior. Em março, bateu um novo recorde mensal, com R$ 6,8 bilhões em vendas.

O consórcio deixou de ser um produto imobiliário

evandrorigon/Getty ImagesProdutores rurais manuseando um drone em área agrícola

Durante anos, o consórcio esteve ligado quase exclusivamente à compra da casa própria. Na visão de Tatiana, esse ciclo ficou para trás. O produto passou a ocupar uma função mais ampla dentro do planejamento patrimonial brasileiro e o agronegócio tornou-se uma das principais portas dessa transformação.

O mercado de consórcios movimentou R$ 500,3 bilhões em comercialização de crédito em 2025, de acordo com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O avanço inédito no setor foi de 32,1% na comparação com os R$ 378,73 bilhões registrados em 2024.

É nesse setor que, além da Ademicon, se encontram outros participantes de peso, sejam vinculados a bancos como o Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, sejam administradores independentes como a Rodobens, Magalu, Embracon e Porto Consórcio. Parte desses números tem a ver com agro.

“É impressionante como os produtores rurais que chegam ao nosso estande hoje ou já têm uma cota de consórcio ou estão decididos a fazer uma, porque viram que é um formato de planejar sem pagar juros”, afirmou.

O movimento ocorre em paralelo às dificuldades enfrentadas pelo financiamento agropecuário tradicional. Com maior seletividade bancária, juros elevados fora das linhas subsidiadas e concentração do crédito em poucos agentes financeiros, o consórcio começou a preencher espaços antes improváveis dentro das propriedades rurais.

Hoje, a Ademicon financia de maquinário agrícola até pivôs de irrigação, silos, drones, sistemas tecnológicos e benfeitorias em fazendas. Segundo a executiva, a companhia “vende” atualmente entre 20 e 30 drones de grande porte por mês, um mercado inexistente na carteira da empresa poucos anos atrás.

“Estamos vendo previsões de melhores safras de soja e milho porque hoje conseguimos entregar tecnologia e irrigação através do consórcio. Esse planejamento é o nosso grande diferencial”, disse.

A aposta bilionária no agro

A expansão no campo já altera o perfil operacional da companhia. Em 2025, o agronegócio respondeu por 17% dos créditos comercializados pela Ademicon, o equivalente a R$ 8 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, essa participação avançou para 19%, somando R$ 3,4 bilhões dentro do volume total negociado pela empresa.

A meta agora é ainda mais agressiva. Até o fim deste ano, o agro deve alcançar 22% da operação, podendo movimentar cerca de R$ 14 bilhões em créditos comercializados. Em 2027, a projeção sobe para 25%. No horizonte de três anos, Tatiana projeta o agronegócio representando 40% dos negócios da companhia.

“Hoje, o setor de serviços ainda é o mais forte, representando 45%, porque esse público já possui uma cultura de planejamento recorrente. Mas o aumento no agro faz todo o sentido”, afirmou.

Para sustentar esse crescimento, a empresa criou uma frente exclusiva para o agronegócio, intensificou presença em feiras como Show Rural Coopavel, Bahia Farm Show, Expointer, Show Safra e Agrishow, e passou a treinar consultores especializados nas particularidades do setor.

“Nossa primeira feira com marca própria foi a Show Rural Coopavel, em Cascavel, há quatro anos. Foi um sucesso estrondoso. Percebi ali que a necessidade de crédito do produtor era muito maior do que eu imaginava”, disse.

Hoje, a companhia possui 300 unidades de negócio espalhadas por 24 estados e Distrito Federal, além de lojas em Miami e Orlando. São cerca de 16 mil pessoas na rede comercial. O plano prevê chegar a 450 unidades e 24 mil consultores nos próximos três anos.

A virada começou dentro da própria história da família

A relação da Ademicon com o agronegócio começou muito antes da atual corrida por crédito rural privado. Segundo Tatiana, a entrada no setor aconteceu há mais de três décadas, quando a New Holland decidiu apostar no consórcio como alternativa para aquisição de máquinas agrícolas.

“Foi assim que entramos no agro”, afirmou. “Hoje, 19% dos nossos clientes pertencem ao setor.”

A trajetória empresarial da executiva também acompanha a própria transformação da companhia. Filha de um dos sócios da antiga Ademi-Lara, empresa criada por empresários do setor imobiliário do Paraná, Tatiana viu a companhia deixar de ser uma administradora regional voltada a imóveis para se tornar uma operação nacional.

“Quando comecei, tínhamos quatro colaboradores; hoje somos mais de 3 mil pessoas espalhadas por todo o Brasil”, disse.

A profissionalização ganhou velocidade a partir de 2020, com a entrada da Treecorp Investimentos na estrutura societária. Depois, em 2023, o quadro acionário passou a contar também com o GIC, fundo soberano de Singapura, em parceria com a família Votorantim. A família de Reichmann segue no controle da companhia, com 70% da operação.

“A entrada dos fundos agregou muita qualidade em auditoria, cibersegurança e processos”, afirmou Tatiana. “Nosso negócio não exige matéria-prima ou estoque; o que temos são pessoas. O fundo vem para trazer governança, conselho robusto e segurança de dados.”

O planejamento como ferramenta financeira do produtor

Se há uma palavra repetida por Tatiana ao longo da entrevista, ela é planejamento. Para a executiva, o avanço do consórcio dentro do agronegócio passa por uma mudança cultural do produtor rural.

“O produtor rural vive o imediato porque o dia de plantar e colher não espera, mas estamos ensinando que o planejamento permite uma atualização tecnológica constante”, afirmou.

Na prática, a tese se apoia também no custo financeiro. Enquanto operações privadas podem alcançar juros de até 2% ao mês, Tatiana afirma que as taxas de administração dos consórcios da Ademicon giram em torno de 1,5% ao ano em planos de longo prazo.

“Quando ele consegue virar essa chave e se alavancar pelo consórcio, ele se liberta de pagar juros abusivos que o obrigariam a trabalhar três ou quatro vezes mais apenas para quitar o empréstimo”, disse.

Segundo a executiva, o modelo também oferece proteção estrutural à inadimplência, já que os grupos funcionam de forma coletiva e contam com garantias reais vinculadas aos bens adquiridos. “O consórcio é um produto de ‘um por todos e todos por um’. O bem em garantia tem mais valor do que a dívida, o que garante a saúde do grupo”, afirmou.

Ao olhar para a própria trajetória, Tatiana costuma brincar que é uma “nativa do consórcio”. Aos 48 anos, ela passou praticamente toda a vida profissional dentro da companhia que herdou da visão empreendedora do pai, hoje presidente do conselho da Ademicon.

Mas a executiva também sabe que a empresa atravessa um momento diferente daquele que conheceu no início da carreira. O consórcio deixou de ser apenas um produto financeiro alternativo e passou a disputar espaço dentro da estratégia de investimento de produtores rurais, empresários e famílias brasileiras.

“O consórcio virou o produto do momento. O planejamento vem fazendo a diferença no nosso crescimento, e esse é o nosso grande diferencial”, afirmou.

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