Seja Bem Vindo - 17/04/2026 13:50

o Maior Gap Não É Tecnológico, É de Execução

Toda semana, um novo relatório confirma o óbvio: a IA vai transformar tudo. Toda semana, o executivo lê, concorda, sente a urgência e volta para a mesma reunião de sempre, sem saber por onde começar. Esse paradoxo tem nome e tem dado.

Apenas 10% das empresas globais se qualificam como “future-ready”, ou seja, com planos estruturados para navegar a transformação trazida pela IA. Enquanto isso, 60% dos líderes esperam que seus funcionários atualizem suas habilidades para IA, mas 34% das empresas não têm nenhuma política sobre o uso da tecnologia, de acordo com The Adecco Group. É muita intenção com pouca direção.

No Brasil, o retrato é igualmente revelador. 73% das empresas brasileiras não têm equipes dedicadas ao desenvolvimento de IA, e apenas 23% já capacitaram profissionais para o uso dessa tecnologia. Ao mesmo tempo, 67% das organizações no país consideram a IA uma de suas cinco prioridades estratégicas para 2025, pela pesquisa da Bain&Company. A conta não fecha, e essa distância entre intenção e execução é exatamente onde os negócios se perdem.

O problema não é a tecnologia. É a largada.

A Your AI Dept entrevistou 164 CEOs em 2025 com a hipótese de encontrar um gap tecnológico. Mas encontrou um gap de execução: 40% dos CEOs ainda estavam nos estágios iniciais de adoção, mesmo acreditando que a IA transformaria seus negócios.

E qual é o principal bloqueio? Pela pesquisa, não foi segurança, nem custo, nem infraestrutura. Foi a incapacidade de distinguir o que é hype do que é real, citado por 46% dos executivos como um dos três maiores obstáculos. Portanto, podemos dizer que não é falta de ambição, é falta de método.

Os executivos reconhecem a urgência e a necessidade da transformação por IA, mas apenas 45% se sentem confiantes na capacidade da sua organização de realmente transformar. No entanto, esse número vem caindo: a confiança nas estratégias de IA recuou 11 pontos percentuais entre 2024 e 2025, baseado em um artigo da Harvard Law Forum on Corporate Governance. Perceba, quanto mais o tema cresce, mais a insegurança cresce também.

Quem lidera, lidera de longe.

Segundo a BCG, líderes C-level profundamente engajados com IA têm 12 vezes mais chances de estar entre os 5% de empresas que mais inovam com a tecnologia, de acordo com o World Economic Forum de 2026. O gap entre quem avança e quem fica parado não é de meses, é de anos-luz competitivos. Denis Machuel, CEO do Adecco Group, foi direto: “A IA está se movendo mais rápido do que a maioria das empresas consegue se adaptar. A transformação precisa ser human-centric e exige uma estratégia unificada.”

A questão, então, não é se sua empresa vai implementar IA. É quando, como e se vai ser tarde demais.

Por onde começar, de verdade

Depois de uma década no Vale do Silício, trabalhando na interseção entre inovação, comportamento humano e liderança, aprendi que IA não se implementa de fora para dentro. Cursos de prompt não mudam cultura. Hackathons não reorganizam fluxos de decisão. A transformação real começa quando a liderança para de tratar IA como projeto de TI e começa a tratá-la como redesenho organizacional. Infraestrutura Cultural Estratégica é o conceito que desenvolvi para isso, não como uma resposta à IA, mas como condição para qualquer inovação duradoura. A IA é, hoje, o seu teste mais urgente.

Os três movimentos que fazem a diferença agora:

  1. Diagnóstico antes de ferramenta
    Antes de escolher uma plataforma, mapeie onde sua operação sangra tempo e decisão. IA pode resolver problemas concretos, não abstratos.
  2. Cultura antes de tecnologia
    Apenas 48% dos projetos-piloto de IA chegam à produção. O que mata os outros 52% quase nunca é técnico, segundo dados da MIT Sloan Management Review. É resistência cultural, falta de sponsor executivo, ausência de normas claras.
  3. Liderança AI-first antes de time de IA
    A transformação começa em quem toma decisão, (não começa no time de dados, diferentemente do que muitos acreditam). Executivos que entendem IA fazem perguntas diferentes, e isso muda tudo.

Se você estiver perdido, não pense que é lento. É porque ninguém te deu um mapa. A boa notícia é que esse mapa existe e começa com as perguntas certas.

*Iona Szkurnik é fundadora e CEO da Education Journey, plataforma de educação corporativa que usa Inteligência Artificial para uma experiência de aprendizagem personalizada. Com mestrado em Educação e Tecnologia pela Universidade de Stanford, Ionaintegrou o time de criação da primeira plataforma de educação online da universidade. Como executiva,Ionaatuou durante oito anos no mercado de SaaS de edtechs no Vale do Silício.Ionaé também cofundadora da Brazil at Silicon Valley, fellow da Fundação Lemann, mentora de mulheres e investidora-anjo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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