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Mercado vê Ibovespa acima de 200 mil pontos e menor incerteza fiscal, após resultado do 1º turno

Lana: ‘A gente não sabe qual é o projeto que Flávio tem para o país’

Fabiano Lana comenta o aumento da direita no Congresso e diz que ainda não se sabe como seria sua relação com Flávio Bolsonaro caso ele fosse eleito. Crédito: TV Estadão

Após o primeiro turno das eleições, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula, o Ibovespa pode superar 200 mil pontos, segundo analistas. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, prevê impacto positivo em estatais e juros. Elisa Machado, da KAT Investimentos, destaca redução da incerteza fiscal. Anderson Brito, do UBS-BB, espera alta de 5% na Bolsa. A expectativa é de ajuste fiscal e valorização do real, com o mercado antecipando vitória de Flávio e reformas econômicas.

O quadro eleitoral formado após o primeiro turno das eleições, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT), pode levar o Ibovespa a superar os 200 mil pontos, segundo diferentes gestoras. O economista e consultor financeiro Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, vê impacto favorável para ações de estatais e alívio na parte intermediária e longa da curva de juros. Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos, por sua vez, diz que o resultado deve reduzir parte da incerteza fiscal.

Para Ricardo Modé, chefe de investimentos da Etti Partners, o pregão deve abrir em forte alta na segunda, 5. Já Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, diz que o mercado deve reagir com otimismo, e Anderson Brito, responsável pelo banco de investimento do UBS-BB, prevê alta de pelo menos 5% na Bolsa na segunda.

Felipe Balassiano, chefe de multimercados da Asa, afirma que será muito difícil Lula vencer no segundo turno. “Esperamos alta forte da bolsa, valorização do real e fechamento dos juros nominais e reais, com o mercado antecipando uma vitória de Flávio”, diz ele. “A reação será guiada pela expectativa de maior disciplina fiscal no próximo governo.”

Lula e Flávio, durante votação: mercado animado na segunda-feira / Fotos: Werther Santana/Estadao e Pedro Kirilos/Estadão Foto: Werther Santana/Estadao e Pedro

Segundo Mendes, da Manchester, os resultados devem levar os investidores a esperar a vitória de Flávio no segundo turno. Associada à eleição de um grande número de deputados e senadores mais alinhados à direita, a confiança de que o próximo governo adotará reformas capazes de levar a um ajuste nas contas públicas aumenta.

“O mercado dá confiança de que a direita fará mais ajustes no resultado primário, colocará a trajetória da dívida pública para baixo”, disse Mendes. A expectativa é de que isso provoque queda nos juros de médio e de longo prazo — com a taxa de DI para janeiro de 2031 recuando para perto de 13,5% na abertura do pregão de segunda-feira.

Segundo Mendes, a combinação de melhora na percepção fiscal e manutenção de um ambiente institucional favorável à política econômica poderia abrir espaço para uma queda mais rápida dos juros, ainda que a direção de queda da Selic já seja esperada independentemente do vencedor — com diferenças, segundo ele, de velocidade e magnitude.

A reação na Bolsa deve ser positiva, em particular entre empresas estatais como Banco do Brasil e Petrobras. No câmbio, ele afirmou que o real tende a se valorizar no curto prazo nesse cenário, embora possa perder força mais à frente, sujeito a oscilações por fatores externos.

Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Mendes afirmou que a mudança de ambiente político poderia levar a uma atuação “mais branda” da Corte, com potencial redução do risco institucional. Ele citou, ainda, que a recomposição de forças no Legislativo poderia aumentar a pressão por maior previsibilidade jurídica.

Para Elisa Machado, da KAT, volatilidade continuará elevada

Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos, também viu boas perspectivas com os resultados do primeiro turno. “O resultado, com Flávio à frente e acima das expectativas, deve ser lido pelo mercado, num primeiro momento, como a redução de parte das incertezas que vinham sendo precificadas, particularmente o risco fiscal”, afirma. “A tendência é de uma reação mais positiva nos ativos de risco.”

Segundo ela, o segundo turno abre outra etapa da disputa, de modo que a volatilidade pode continuar elevada. Assim, parte da melhora aguardada no mercado pode ser devolvida se a disputa voltar a se apertar nas pesquisas do segundo turno.

Para Elisa, o elemento central para os preços de mercado não é o nome do candidato, mas a probabilidade de mudança na trajetória fiscal: quando essa probabilidade aumenta, o prêmio de risco embutido nos juros longos tende a ceder, favorecendo o real e os ativos domésticos.

Além da corrida presidencial, a economista diz que o “mapa político” nas eleições estaduais, com a direita liderando na maioria dos Estados, altera a correlação de forças e amplia o peso dos governos estaduais na equação de governabilidade dos próximos anos.

Elisa afirma que esse quadro ganha ainda mais relevância quando combinado com um novo Senado majoritariamente de centro-direita. Para o mercado, diz, mais importante do que a leitura ideológica é o que essa composição representa em termos de capacidade de articulação, aprovação de reformas e execução de uma agenda econômica e fiscal a partir de 2027.

Até o segundo turno, ela aponta três fatores que devem pesar mais: o destino dos votos de candidatos eliminados, sobretudo os de centro, a base do próximo presidente no Congresso e a credibilidade da equipe econômica. O mercado vai querer nomes e regras, com dívida pública, disciplina fiscal, controle de gastos e perspectivas de crescimento.

Favoritismo de Flávio não captado em pesquisas refletirá no preço das ações na segunda, diz gestor

Modé, da Etti, diz que os ativos brasileiros devem ter mais valorização nos próximos pregões, com movimento forte na abertura dos negócios nesta segunda-feira. O movimento é uma resposta ao desempenho de Flávio Bolsonaro, com um favoritismo que ainda não havia sido capturado nas pesquisas.

“A tendência melhor para o mercado no Brasil em relação ao exterior deve continuar, principalmente para os juros, porque Flávio vem se comprometendo com uma agenda fiscal. O desempenho também acompanhará o que ele citar e, se der mais detalhes a respeito, isso fará (o mercado) continuar melhorando”, afirmou ele ao Estadão/Broadcast.

Modé afirma que o mercado brasileiro já vinha como destaque relativo no exterior com a antecipação de uma possível vitória de Flávio, mas esse ritmo positivo deve continuar.

Isso se torna importante, sobretudo considerando os resultados no Legislativo, com avanço forte do PL no Senado. Diante disso, ele afirma que o cenário externo teria de ter uma piora “muito significativa” para frear o otimismo para os ativos locais no curto prazo. Nas próximas semanas, o movimento favorável ficará condicionado também ao que as pesquisas eleitorais mostrarem.

“Os juros têm mais espaço para cair porque o mercado ainda está precificando 13,5% esse ano e algo perto de 12% ano que vem, em um cenário de nenhuma melhora do resultado primário desse ano e ano que vem. Flávio vem afirmando que ”uma economia de 2% a 3% (da dívida/PIB) é algo muito grande”, afirma. “Isso abriria espaço para o Banco Central ver uma execução fiscal e cortar mais os juros.”

Modé estima que, com um ajuste fiscal realizado, os juros no País podem ir para o nível abaixo de dois dígitos, um cenário “que está longe de estar precificado”.

Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, também vê tendência de alta da bolsa, sobretudo em small caps de empresas mais ligadas à atividade local, e queda nas taxas de juros longas.

O UBS-BB espera um salto de ao menos 5% da Bolsa nesta segunda-feira, 5, após o resultado do primeiro turno. Segundo Anderson Brito, responsável pelo banco de investimento do UBS-BB, a votação mostra que o presidente Lula começa a perder suporte e Flávio pode atrair eleitores que votaram nos outros candidatos no segundo turno.

“Dado o tamanho da base de Flávio Bolsonaro e da potencial migração de eleitores, o resultado do segundo turno é evidente e prevemos uma reprecificação relevante dos ativos já a partir de amanhã“, afirmou. “Aumenta a expectativa de um ajuste fiscal.”

Brito diz que, se Flávio for confirmado presidente, a Bolsa brasileira deve fechar o ano acima dos 200 mil pontos e as ofertas iniciais de ações (IPOs) devem começar a aparecer no mercado. “Este ano mesmo teremos algum IPO neste cenário”, disse. O investidor estrangeiro, disse ainda, estava aguardando esse momento para se posicionar, e também os locais já estão se movimentando.

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