
O setor de prédios de escritórios teve 13 operações de julho a setembro, num total de R$ 2,8 bilhões Foto: Rafael Arbex/Estadão – 02/06/2017
A compra e a venda de grandes propriedades comerciais – prédios de escritórios, galpões logísticos, shopping centers e megalojas – movimentou R$ 12,2 bilhões no Brasil em 41 transações ao longo do terceiro trimestre. Esta foi a segunda maior cifra negociada em um único trimestre nos últimos 12 anos de pesquisas, segundo a consultoria Cushman & Wakefield, e quase igual ao comercializado no primeiro semestre inteiro, quando bateu em R$ 13,1 bilhões.
O que tem despertado o interesse dos investidores são os números positivos nos diferentes tipos de imóveis comerciais, marcados pela redução generalizada dos espaços vagos e pelo crescimento no valor dos aluguéis. Por outro lado, os juros altos da economia brasileira ainda fazem muitos investidores adiarem a compra de uma propriedade. A exceção é quando se trata de ativos com qualidade construtiva elevada, localização muito procurada e locação para inquilinos sem grandes riscos de calotes.
“O trimestre marcou uma retomada positiva do valor investido em imóveis comerciais, com operações relevantes em todos os setores”, observou Renato Paglarin, líder da área de pesquisa da Cushman & Wakefield. “Mas essas transações continuam dentro de um ambiente bastante seletivo. O investidor não compra qualquer coisa. Ele está premiando a qualidade dos ativos e a previsibilidade do fluxo de pagamentos”.
A comercialização de galpões logísticos se destacou no trimestre, com 12 operações e um valor total de R$ 5,5 bilhões (45% do total). O setor de logística está bombando devido à procura por imóveis que sirvam como centros de distribuição e armazenamento para o comércio eletrônico. O segmento de varejo – shoppings e mega lojas – teve 16 negócios, movimentando R$ 3,9 bilhões (32% do total). Já o setor de prédios de escritórios contou com 13 operações e R$ 2,8 bilhões (23%).
Efeito TRX
O trimestre foi marcado também pelas grandes tacadas da gestora de investimentos imobiliários TRX. Sozinha, ela respondeu por R$ 3,5 bilhões em aquisições no trimestre fazendo um conjunto de oito transações. A gestora ficou famosa por colocar de pé vários negócios com o pagamento em dinheiro combinado com entrega de cotas dos seus fundos. A estratégia foi uma maneira de driblar a falta de liquidez do mercado por causa dos juros altos.
A maior investida da TRX foi na compra de três galpões logísticos da KSM Realty por R$ 1,4 bilhão em Guarulhos (SP), região mais procurada para imóveis desse tipo devido à proximidade das rodovias, rodoanel e aeroporto. Outro grande negócio foi a aquisição de participações em cinco shoppings da Iguatemi por R$ 876 milhões.
“O crescimento na compra e venda de ativos no trimestre foi puxado por algumas operações que serviram de âncora”, disse Paglarin. “A TRX é um caso particular, uma grande gestora que usou os fundos para fazer aquisições de imóveis que estão no ‘filé mignon’ do mercado imobiliário”, comentou.
Apesar do pico de valores movimentados no terceiro trimestre, o representante da Cushman & Wakefield disse não acreditar que haja uma tendência consolidada de expansão dos investimentos em propriedades comerciais, tendo em vista as incertezas sobre os rumos do País.
“O investidor olha muito o risco do ativo e do cenário macroeconômico”, ponderou, citando os juros altos, as dívidas elevadas de pessoas e empresas, e turbulências políticas. “O setor imobiliário vai bem, mas o cenário macroeconômico está adverso. Dependendo do investimento, a conta ainda não fecha em muitos casos. Eu acredito que o setor ainda vai ser marcado por aquisições seletivas e buscas por oportunidades”.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 15/10/2026, às 17:54
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