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Com foco no Congresso, pré-candidatura de Caiado não influencia corrida à presidência e mostra estratégia do Centrão

O PSD formaliza nesta segunda-feira (30) a pré-candidatura de Ronaldo Caiado à presidência da República em 2026. A entrada do governador de Goiás na corrida reconfigura o tabuleiro eleitoral, especialmente na correlação de forças do Centrão e da extrema direita na disputa do Legislativo. 

O anúncio será feito durante a tarde em evento em São Paulo, na sede do PSD. O nome de Caiado já era ventilado como uma possível alternativa à Flávio Bolsonaro dentro da direita. A leitura de políticos, no entanto, é de que o anúncio do governador goiano seja um passo para demarcar a posição do Centrão e aumentar os votos no Congresso. 

Essa percepção foi externada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Em conversa com jornalistas, ela afirmou que a candidatura de Caiado deve se manter “marginal” na disputa presidencial. Isso porque os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já estão consolidados como favoritos na corrida. 

A estratégia do PSD, no entanto, envolve outras frentes. A demarcação de uma candidatura coloca o partido no debate público como uma sigla competitiva. E a ideia é ampliar a presença na Câmara dos Deputados e no Senado e ganhar espaço dentro do Centrão. Hoje, o bloco que tem os partidos União, PP, PSD, Republicanos, MDB, e a federação PSDB, Cidadania e Podemos conta com 267 deputados e tem maioria na Casa Baixa. Já no Senado o PSD tem 12 congressistas. 

Para Debora Messenberg, professora de sociologia política da Universidade de Brasília (UnB), o fundamental para partidos do centro é organizar sua força nos estados e municípios.

“O Centrão é a grande força do congresso e não deixará de ser agora. Mas as articulações são estaduais e municipais. A discussão para o presidente toma espaço, mas o que organiza o jogo político é o municipal e o estadual. E isso mostra como o Centrão vai se mostrar como força local. O Caiado é uma demonstração de força do Centrão e Gilberto Kassab como uma eminência parda que organiza isso”, disse ao Brasil de Fato. 

As pesquisas eleitorais ilustram essa tese. Caiado tem oscilado entre 4% e 5% das intenções de voto, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro disputam a liderança na preferência dos eleitores.

A mostra de força do PSD nesse contexto responde diretamente à importância que o presidente do partido ganhou nos últimos anos. Kassab se consolidou como uma pessoa decisiva nos bastidores sem ter um cargo político. Depois de ocupar por duas vezes a prefeitura de São Paulo, Kassab passou a demonstrar seu caráter camaleônico e ocupou ministérios tanto com Dilma Rousseff quanto com Michel Temer. 

Mais tarde, o PSD ocupou ministérios na gestão de Jair Bolsonaro, negociou apoios no Congresso e mudou de lado em 2023, passando a integrar a base do governo petista. Ao mesmo tempo, Kassab tornou-se o principal articulador político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se consolidando como uma figura central dos bastidores da política nacional. 

“O Kassab há muito tempo tem essa força e se coloca nessa posição há vários anos. Essa articulação de bastidores faz parte da política brasileira e tem pessoas importantes nessa posição. Isso mostra um provincialismo da política nacional e a academia e a mídia não têm se debruçado sobre isso e como isso define o plano nacional”, afirmou Messenberg.

A escolha de Caiado atravessou uma disputa interna no PSD. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também tinha a expectativa de ser o nome forte da sigla em 2026, mas perdeu a queda de braço. Mesmo ocupando por duas vezes a chefia do estado sulista, a preferência foi por um nome mais “popular”. 

Kassab justificou a escolha com a chance maior de Caiado de chegar ao segundo turno. Mesmo com baixa intenção de voto, a argumentação usada pelo presidente do PSD é a de que o governador de Goiás ganhou muita força por seu suposto êxito na gestão da segurança pública do estado. 

Caiado tem usado esse discurso nos últimos meses. Em uma reunião com outros governadores para discutir a segurança no país, chegou a dizer que seu estado “vai muito bem” no combate à violência e que o país deveria adotar medidas parecidas. O agora pré-candidato também se colocou à frente das discussões sobre a PEC da Segurança Pública e do chamado Consórcio da Paz, que reuniu governadores da direita para fazer oposição ao governo federal depois da chacina do Rio de Janeiro que matou 121 pessoas. 

“A decisão foi por uma questão eleitoral, entendendo que Ronaldo Caiado tem mais chances de chegar no segundo turno. E chegando no segundo turno, ele vencerá as eleições”, afirmou Kassab.

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