Desde a estabilização, em 1994, o Brasil convive com taxas de juros bastante elevadas. A âncora cambial foi um importante instrumento para estabilizar a inflação. Por outro lado, foi necessária uma taxa de juros muito elevada para evitar fuga de capitais e desvalorização cambial, que poderia gerar o retorno da inflação.
A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, gerou forte crescimento econômico e urbanização, além de aumento de demanda por commodities, alimentos e minerais, um boom de exportações brasileiras. Com isso, o País acumulou expressivo volume de reservas internacionais (mais de US$ 300 bilhões), em tempo.

O Banco Central tenta evitar o descontrole da inflação Foto: Beto Nociti/BCB
O governo substituiu o regime de câmbio controlado por um regime de câmbio flutuante em 1999 e, ao mesmo tempo, adotou uma política fiscal mais conservadora, com geração de superávits primários que chegaram a atingir 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e reduziu a dívida pública como proporção do PIB. Com esta combinação, o Banco Central (BC) conseguiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para níveis mais confortáveis (de um dígito), sem perder controle sobre a taxa de inflação.
A partir de 2010, o governo passou a implementar uma política fiscal de viés expansionista, déficits primários e aumento da dívida pública como proporção do PIB combinado a uma política monetária insuficiente para manter a inflação em um dígito. O resultado foi forte recessão que persistiu por dois anos e gerou o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A mudança do presidente levou à troca da diretoria do BC e da política fiscal, em especial, a aprovação do teto dos gastos e conseguiu reverter a trajetória de aumento da taxa de juros praticamente à metade em seis meses.
A mudança do governo em 2022 retornou à política fiscal expansionista, com elevados déficits primários e aumento da relação dívida pública/PIB, que passou de 71,75% do PIB para 83,3% do PIB em 2026 (projetado). Ao contrário do período 2014/2016, como o Banco Central havia se tornado independente, adotou uma política monetária bastante contracionista.
Esta combinação de políticas gerou fuga de capitais no final de 2024. O valor do dólar atingiu R$ 6,30, o Banco Central vendeu US$ 30 bilhões no mercado financeiro e forçou o BC, em menos de três meses, a levar a Selic a 15% ao ano no início de 2025, para evitar a volta do descontrole da inflação, ao custo anual de aproximadamente 9,0% do Produto Interno Bruto desde 2024.