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Após expor BRB ao Master, Ibaneis pede R$ 4 bilhões ao FGC e coloca patrimônio público em risco

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), formalizou um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o Banco de Brasília (BRB), depois de a instituição pública acumular perdas bilionárias ligadas à sua exposição ao Banco Master. O movimento foi feito nos últimos dias de Ibaneis no cargo, antes de sua renúncia neste sábado (28), para disputar uma vaga no Senado.

A operação, detalhada em carta enviada ao fundo na terça-feira (24), busca reforçar o capital do banco e preservar sua liquidez em meio à crise aberta após a compra de ativos problemáticos do Master. Para viabilizar o crédito, o Governo do Distrito Federal ofereceu como garantias ações de estatais como Caesb, CEB e o próprio BRB, além de nove imóveis públicos já autorizados em lei, colocando patrimônio público como lastro para cobrir perdas bilionárias.

O movimento amplia a pressão sobre o governo local, que agora tenta conter com patrimônio público os efeitos de uma operação que ajudou a fragilizar o banco estatal. A proposta prevê carência de um ano e seis meses, pagamentos semestrais e remuneração atrelada ao CDI, acrescida de spread a ser definido pelo FGC.

Parte dos ativos oferecidos como garantia, porém, já enfrenta questionamentos. A área da Serrinha do Paranoá, por exemplo, teve o uso suspenso pela Justiça local, embora caiba recurso. O uso de imóveis e participações em empresas públicas também tem sido criticado por parlamentares e movimentos sociais, que veem na medida a transferência da conta da crise para o patrimônio do Distrito Federal.

Da exposição ao Master ao socorro com bens públicos

O pedido de socorro aprofunda a crise iniciada com a relação do BRB com o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro do ano passado. Investigações apontam que o banco público adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos irregulares da instituição controlada por Daniel Vorcaro, preso novamente pela Polícia Federal neste mês na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Dados do sistema IF.data, do Banco Central, mostram que a carteira de crédito do BRB saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões entre setembro de 2024 e setembro de 2025. Desse crescimento, ao menos R$ 12,2 bilhões estão ligados a operações com o Master. Na prática, mais de 20% da carteira do banco público ficou exposta a papéis da instituição privada que viria a quebrar.

As estimativas do tamanho do rombo também cresceram. Se, no início, o mercado trabalhava com necessidade de provisão em torno de R$ 2,6 bilhões, agora a própria carta enviada ao FGC fala em necessidade de provisões da ordem de R$ 8,8 bilhões. Uma auditoria forense independente estima impacto ainda maior, de até R$ 13,3 bilhões, em operações com indícios de falta de lastro.

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