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Agricultura confirma foco de Doença de Newcastle em produção comercial de perus em SC

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O Ministério da Agricultura confirmou nesta segunda-feira, 19, um foco da Doença de Newcastle (DNC), doença viral que afeta aves, em produção comercial em perus em Nova Itaberaba, oeste de Santa Catarina. A confirmação foi feita em entrevista à imprensa realizada na sede da pasta. O foco já foi controlado pelo serviço sanitário com base no protocolo previsto no “Plano de Contingência de Influenza Aviária e Doença de Newcastle”.

O ministro da Agricultura, André de Paula, destacou que a identificação do caso ocorreu no âmbito da vigilância ativa, o que, segundo ele, demonstra a eficiência do sistema de defesa agropecuária. “Não foi fruto de uma suspeita, não foi fruto de uma vigilância ativa que prova a eficiência do sistema agropecuário”, afirmou.

A suspeita constava como investigação em curso em produção doméstica de perus na plataforma de acompanhamento de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves do Ministério da Agricultura. De acordo com a plataforma, o atendimento ao caso, ou seja, a coleta de material, foi registrado em 14 de outubro. A plataforma, entretanto, não distingue se a investigação é quanto à gripe aviária ou Newcastle.

Governo registrou o segundo caso de Newcastle em produção comercial no Brasil Foto: Dida Sampaio/Estadão

O foco foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo (LFDA-SP), reconhecido como unidade de referência para influenza aviária e DNC pela Organização Mundial de Saúde Animal.

Este é o segundo caso já registrado de Newcastle em produção comercial no Brasil. O primeiro foi em 17 de julho de 2024, quando um caso foi identificado em um estabelecimento de avicultura comercial de corte em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o foco foi debelado em menos de dez dias após a confirmação, com a notificação de conclusão em 25 de julho daquele ano. As suspeitas na época eram de contaminação em virtude dos efeitos das enchentes registradas no Estado.

A Doença de Newcastle é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres e causa sinais respiratórios seguidos por manifestações nervosas. É uma doença de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A DNC não é transmitida ao consumo de produtos avícolas inspecionados, que permanece sem contraindicações.

Foco foi detectado, mas sem manifestação clínica nas aves

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) informaram, em nota, que acompanham com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina a ocorrência de Doença de Newcastle em um estabelecimento de produção comercial de perus em Nova Itaberaba (SC).

No comunicado reforçam que “a ocorrência não apresenta manifestação clínica”. “Ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados.”

Segundo as entidades, o Brasil conta com um sistema de defesa sanitária estruturado, com protocolos de vigilância, prevenção e resposta a ocorrências dessa natureza, incluindo medidas de contenção e controle sanitário previstas na legislação vigente.

“A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC enfatizam que essa é uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos. Ou seja: não há qualquer relação ou risco no consumo do produto. Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo.”

Ainda na nota, dizem-se confiantes na atuação das autoridades sanitárias brasileiras e no compromisso do setor produtivo com a biosseguridade, a transparência e o cumprimento dos protocolos estabelecidos. (Equipe AE)

Pleito para retorno de área livre é de 90 dias

O Ministério da Agricultura iniciou nesta segunda-feira os procedimentos para eliminação do foco da Doença de Newcastle. Segundo o diretor do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, as medidas incluem o abate sanitário das aves, a limpeza e a desinfecção da propriedade. O Brasil precisará aguardar 90 dias para solicitar à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o reconhecimento do retorno à condição de área livre da doença.

A confirmação do foco ocorreu no domingo, após análises de amostras coletadas na propriedade. De acordo com Alvarenga, o caso atende aos critérios da OMSA para caracterização de um foco, que consideram o hospedeiro e a virulência do vírus, verificada por meio do material genético. A granja abriga aproximadamente 6 mil perus e permanece com a movimentação de animais suspensa.

O diretor afirmou que o Ministério da Agricultura e as autoridades sanitárias estaduais realizaram reuniões técnicas no domingo para preparar as medidas de controle, iniciadas nesta segunda-feira. Após a eliminação das aves, serão realizados procedimentos de limpeza e desinfecção. Também começará a contagem dos períodos necessários para o encerramento do foco.

Segundo Alvarenga, serão necessários dois períodos de incubação de 21 dias, totalizando 42 dias de monitoramento sanitário. A vigilância abrangerá tanto a propriedade afetada quanto as granjas situadas na área de restrição, delimitada pelos municípios de Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias, em Santa Catarina. A região reúne aproximadamente 133 granjas que serão acompanhadas durante o período.

O diretor explicou que o prazo para o Brasil voltar a ser reconhecido como área livre de Newcastle é de 90 dias, conforme as regras da OMSA. Segundo ele, o País já apresentou anteriormente um pedido à organização para reduzir esse intervalo, mas a atualização ainda não foi efetivada. A revisão das regras ocorre, em geral, anualmente, em maio, de modo que uma eventual mudança deverá ser analisada no próximo ano.

Alvarenga ressaltou que não há risco para a população associado ao consumo de produtos avícolas inspecionados. “Não existe risco para a população consumir os produtos. Nenhum risco está associado ao consumo desses produtos”, afirmou.

A confirmação do foco será publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União (DOU), e o Ministério da Agricultura notificará a OMSA dentro do prazo de 24 horas previsto para a comunicação. Segundo Alvarenga, a informação também deverá ser disponibilizada no site da organização nesta segunda-feira ou, no mais tardar, na terça-feira, 20, em razão da diferença de fuso horário.

O diretor afirmou ainda que o caso é considerado restrito e que, até o momento, não há suspeita de ocorrência em maior escala. A identificação ocorreu por meio de um programa de vigilância ativa, previsto no planejamento anual de fiscalização sanitária, e não a partir de uma suspeita inicial de doença.

As amostras foram coletadas em 21 de setembro e enviadas para análise. Em 14 de outubro, o resultado de um teste de PCR indicou a possibilidade de um caso suspeito, o que levou à suspensão da movimentação de animais da granja, à coleta de novas amostras e à análise confirmatória do material inicial. No domingo, 18, os resultados das novas amostras confirmaram a presença da Doença de Newcastle.

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