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Na CPI, Galípolo diz que, após reunião com Vorcaro, Lula pediu análise técnica do Banco Master: ‘Você tem toda autonomia’

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou que a atuação do Banco Central no caso do Banco Master fosse estritamente técnica. A diretriz teria sido dada após uma reunião com o banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024.

Galípolo relatou que foi convocado ao encontro pelo chefe de gabinete da Presidência e informado que havia uma reunião em andamento, na qual Vorcaro alegava que o Master sofria perseguição do mercado financeiro.

Segundo o presidente do BC, a narrativa do banqueiro não era condizente com a realidade do setor, afirmando que a instituição não possuía tamanho para causar tal movimentação.

De acordo com o depoimento, Lula delegou a condução do caso integralmente ao órgão regulador. O presidente teria dito a Galípolo para não proteger nem perseguir ninguém, garantindo autonomia para investigar quem fosse necessário.

“Seja técnico, mais técnico, você tem toda autonomia nesse processo para investigar, seja quem for. Não proteja ninguém, não persiga ninguém”, teria afirmado o presidente, de acordo com Galípolo.

O encontro, que não constou na agenda oficial, tornou-se alvo de investigação após mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostrarem que Vorcaro considerou a reunião muito forte. Em fevereiro, Lula confirmou a audiência, reiterando que o tratamento do caso seria técnico e sem interferências políticas.

Diálogo com STF focou em sanções internacionais e Lei Magnitsky

Questionado sobre seus encontros com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Galípolo afirmou que as conversas restringiram-se aos impactos da Lei Magnitsky. Em julho de 2025, o governo de Donald Trump incluiu o magistrado e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em uma lista de sanções, sob alegação de abusos em decisões judiciais e perseguição política.

O presidente do Banco Central explicou que a crise gerada pelas sanções dos Estados Unidos foi um dos temas mais complexos de 2025 do ponto de vista sistêmico, exigindo reuniões para tratar de sigilo bancário e financeiro dos envolvidos. Galípolo negou que a situação do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo BC, tenha sido pauta dessas conversas com Moraes.

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