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Cooperativas Avançam no Crédito Rural e Mostram Que Há Recursos, Apesar do Juro Alto

Apesar da Selic mantida em 15% ao ano e do ambiente mais seletivo na concessão de crédito, o cooperativismo financeiro avança no campo.

“O agro acontece no dia a dia das comunidades, movimenta a economia local e garante renda no campo. Seguimos impulsionando o setor e fortalecendo as regiões onde atuamos”, afirma Manfred Dasenbrock, presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ uma das importantes cooperativas de crédito do País.

A avaliação do executivo foi feita durante o Show Rural Coopavel, realizado de 8 a 13 deste mês em Cascavel, na porção oeste do Paraná. A Forbes Agro acompanhou o evento desde segunda-feira (9), ouvindo ainda as avaliações do Sicoob e Cresol, consideradas três cooperativas de crédito importantes para o produtor rural.

O Sicredi liberou R$ 39 bilhões no primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026, alta de 11% sobre o mesmo período do ciclo anterior, e encerrou 2025 com R$ 120 bilhões na carteira agro, crescimento de 13,5%.

Mudança no perfil do crédito

Divulgação/SicrediManfred Dasenbrock, presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ

O desempenho ocorre em um contexto de reorganização do mercado de crédito rural. Dados do Banco Central indicam que entre julho de 2025 e janeiro de 2026 o crédito empresarial contratado totalizou R$ 316,57 bilhões, um avanço de 6%.

O crescimento foi puxado pelas Cédulas de Produto Rural (CPR), que avançaram 37%, enquanto as linhas de investimento recuaram 20%.

O atual Plano Safra confirma uma transição: menos contratos, tíquetes médios maiores e predominância de instrumentos privados. O crédito não desapareceu; tornou-se mais técnico, seletivo e concentrado na produção imediata.

Nesse cenário, o cooperativismo tem funcionado como amortecedor regional. Ao manter os recursos circulando entre associados, preserva liquidez em mercados locais e sustenta o financiamento da safra mesmo sob pressão macroeconômica.

Custos mais altos, crédito mais técnico

O atual ciclo é marcado por menor apetite ao risco e maior rigor técnico. A combinação de juros elevados e volatilidade climática levou produtores a priorizar custeio e eficiência operacional.

No Sicredi, a carteira de repasses do BNDES superou R$ 34 bilhões. Apenas em 2025, foram distribuídos R$ 11 bilhões via banco de fomento, sendo R$ 8,6 bilhões destinados a programas agropecuários. A instituição mantém liderança em linhas como Pronaf e Pronamp no Paraná.

Além do crédito tradicional, a cooperativa ampliou sua presença em consórcios e seguros. Em 2025, comercializou R$ 15 bilhões em créditos ativos de consórcio, sendo R$ 3,2 bilhões voltados ao agro. No seguro rural, alcançou 113 mil apólices, protegendo mais de R$ 58 bilhões em benfeitorias e máquinas e R$ 2,4 bilhões em lavouras.

“Uma das nossas maiores preocupações é reduzir o risco do produtor. Isso passa por orientação técnica, zoneamento, seguro e planejamento. O crédito precisa estar conectado à realidade da propriedade”, afirmou Dasenbrock.

Durante a feira, em Cascavel (PR), o Sicredi tinha à disposição dos produtores até R$ 2,5 bilhões em crédito, apoiado na expectativa de uma safra de verão robusta.

Sicoob

Divulgação/SicoobExecuivos do Sicoob durante apresentação para a imprensa no Show Rural Coopavel

Se o Sicredi ampliou a carteira, o Sicoob acelerou o volume de negócios na principal vitrine tecnológica do agro paranaense. A instituição informou R$ 4,2 bilhões em operações protocoladas no Show Rural Coopavel 2026. Do total, R$ 3,4 bilhões referem-se a crédito rural e CPR-F.

Em 2025, a carteira total do sistema cresceu 17%, ante 10,2% do Sistema Financeiro Nacional. Para 2026, a meta é alcançar expansão de 20%, mesmo com o ambiente macroeconômico mais restritivo. O agro representa hoje cerca de um terço do volume total de negócios da cooperativa.

“O banco tem clientes; nós temos donos. Não podemos simplesmente fechar a torneira. O nosso associado participa da gestão e entende a responsabilidade do crédito”, afirmou Ênio Meinen, diretor de Coordenação Sistêmica do Sicoob.

No atual Plano Safra, o Sicoob aportou cerca de R$ 60 bilhões ao setor, incremento de 8%. A leitura interna é que recursos existem, mas a alocação tornou-se mais criteriosa diante do aumento da inadimplência e do custo financeiro.

Enquanto bancos tradicionais reduziram estruturas físicas para enxugar custos, o Sicoob ampliou a presença territorial, hoje com mais de 4,7 mil pontos de atendimento. A estratégia mira municípios onde o crédito continua sendo instrumento essencial de dinamização econômica.

Cresol

Com origem na agricultura familiar, a Cresol reforçou sua atuação no ciclo atual. Até 10 de fevereiro, liberou R$ 10,2 bilhões no Plano Safra 2025/2026, distribuídos em mais de 87 mil propostas. O ticket médio foi de R$ 117,6 mil, com predominância do custeio (64,6%).

Ao completar 30 anos, a cooperativa soma R$ 53 bilhões em ativos e R$ 43 bilhões em carteira de crédito total. No agro, acumula mais de R$ 56,5 bilhões liberados ao longo da trajetória, com forte presença no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a principal política de crédito rural do Brasil voltada aos pequenos produtores familiares.

A Cresol alcançou mil agências, sendo 75% em municípios com até 50 mil habitantes. A carteira sustentável atingiu R$ 12 bilhões em 2025, alinhada à taxonomia da Febraban para atividades verdes.

Em um ambiente de retração das fontes não controladas, que recuaram 25% no semestre, o avanço das cooperativas indica reorganização estrutural do financiamento rural. A CPR passou a responder por 47% do total concedido no ciclo atual, ante 34% na safra anterior.

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